Terça-feira, Maio 13, 2008

Despedida

Por mim, e por vós, e por mais aquilo que está onde as outras coisas nunca estão, deixo o mar bravo e o céu tranqüilo: quero solidão.
Meu caminho é sem marcos nem paisagens.
E como o conheces? - me perguntarão.
- Por não ter palavras, por não ter imagens.
Nenhum inimigo e nenhum irmão.

Que procuras?
Tudo.
Que desejas?
- Nada.
Viajo sozinha com o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha mão.
A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação...

Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão?
Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.
(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão! Estandarte triste de uma estranha guerra...)
Quero solidão.

Cecília Meireles

1 comentários:

Saramar disse...

Cecília, sempre perfeia!
É das minhas favoritas pela linguagem quese coloquial em muitos dos seus poemas.
Este, em especial, eu não conhecia.
Obrigada.

Vim agradecer seu comentário no blog da Sonia sobre o meu pequeno poema eo meu blog.
É sempre bom fazer novos amigos, principalmente os que gostam de poesia.

Muito obrigada.

beijos