Eu trago-te nas mãos o esquecimentoDas horas más que tens vivido, Amor!
E para as tuas chagas o ungüento
Com que sarei a minha própria dor.
Os meus gestos são ondas de Sorrento...
Trago no nome as letras duma flor...
Foi dos meus olhos garços que um pintor
Tirou a luz para pintar o vento...
Dou-te o que tenho: o astro que dormita,
O manto dos crepúsculos da tarde,
O sol que é de oiro, a onda que palpita.
Dou-te, comigo, o mundo que Deus fez!
Eu sou Aquela de quem tens saudade,
A princesa de conto: "Era uma vez..."
Florbela Espanca

2 comentários:
E depois de muito ficar entrando em sites sem sentido lembrei desse espaço aqui. Após ler esse belo texto já me sinto recompensado, já posso dormir.
Samara querida penso que pode sim....
E Júlio venha sempre!
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